Olá pessoal!
Vamos falar um pouquinho sobre insegurança? Eu vou
dividir esse tema em três posts, porque é muito extenso e tem muita coisa pra
falar.
Quantas vezes você já se comparou com as suas amigas?
Quantas vezes já desejou ter o corpo da Rihanna ou o cabelo da Gisele Bundchen,
e toda vez que você se comparava com alguma delas sentia que não era bonita o
bastante? Eu tenho certeza que pelo menos uma vez na vida você já desejou mudar
alguma coisa na sua aparência, e antes que me digam que é questão de gosto e
que muitas vezes um silicone pode ajudar na autoestima da mulher, eu quero
dizer que não concordo com isso, sabem porque?
Porque nada que você faça por fora, vai preencher o vazio
que está por dentro. A sua insegurança não vem simplesmente do fato de você ter
os seios pequenos, ou ter pouca bunda, estar muito magra ou muito gorda. A
insegurança é algo plantado dentro de você desde criança e alimentado pela
mídia machista. A intenção é fazer você nunca se sentir bem consigo mesma e
gastar rios de dinheiro para tentar mudar tudo que você considera “imperfeito”.
Porém, enquanto você não tapar o buraco que está por dentro, nada do que você
fizer por fora irá adiantar. Não é vantajoso para as indústrias que todas as
mulheres acordem se amando por completo, e é aí que entra a rivalidade
feminina.
Existe um padrão de beleza, se você começar a olhar a
maioria das propagandas, novelas e filmes exibem como ‘ideal’ de beleza a
mulher branca, loira e magra. Esse padrão é o mesmo em todos os lugares do mundo,
o que faz com muitas mulheres façam verdadeiras loucuras para se encaixarem, e
quando não conseguem se sentem infelizes e incompletas.
A busca insaciável pelo corpo perfeito é alimentada pela
mídia, que volta e meia, faz comentários desagradáveis em fotos de atrizes e
cantoras famosas como: “fulana vai à
praia e exibe pernas com celulite”. Quantas vezes vocês já viram esse
comentário direcionado à uma mulher famosa? Isso faz com que as pessoas se
achem no direito de ofender a moça, e faz com que algumas mulheres se sintam
melhores do que ela, por ter menos ou nenhuma celulite.
Começa uma guerra sem nenhum sentido onde as mulheres
acham que precisam ser sempre mais bonitas que a outra, precisam ser mais
atraentes, mais desejáveis, como se fôssemos todas cavalos numa corrida onde os
homens apostam e escolhem as melhores.
Eu já ouvi muito da minha mãe, das minha amigas, tias etc
que elas “não confiam em amizade de mulher”, que “mulher é falsa e invejosa”.
Será que é mesmo? Ou será que esse comportamento não passa do reflexo de anos
de chorume midiático vendendo essa imagem de mulheres em todos os filmes,
novelas, seriados? Será que esse comportamento de rivalidade e inveja de
algumas mulheres é natural ou apenas fruto da insegurança plantada em cada uma de nós pelo patriarcado?
Existem pessoas invejosas, falsas e mentirosas, e essas
pessoas podem ser homens e mulheres, pois existem pessoas ruins de todos os
gêneros, não é exclusividade de um só, porém acredito que a grande maioria das
mulheres apenas reproduz um comportamento de rivalidade que é incentivado e tido
como comum pela sociedade.
O que eu quero dizer com tudo isso, é que graças a essa
insegurança cultivada em nós mulheres, se torna muito mais fácil nos tornarmos
vítimas de relacionamentos abusivos sem perceber disso. É muito comum mulheres
vítimas desse tipo de relacionamento nunca se acharem boas o bastante para o
parceiro, viverem com o constante medo de serem trocadas por outras, e acabarem
fazendo modificações nos seus corpos e na sua aparência apenas pra agradar o
parceiro, isso sem falar no ciúme, porém isso é assunto pra outro post.
Alerta para situações
típicas de rivalidade feminina:
- Se juntar com as suas amigas para falar mal da roupa ou do cabelo de uma mulher que você não goste.
- Comparar atrizes e cantoras apenas pela aparência estética, e não pelo talento artístico, premiações ou qualidade vocal.
- Sentir inveja de uma mulher que você considera muito bonita, e quando eu digo inveja, não quero dizer aquele sentimento de: “quero que ela morra”, às vezes você pode até ser amiga dessa mulher e gostar muito dela, porém você fica triste pois acha ela muito bonita e não vê o mesmo em você, e você fica se comparando e desejando ser como ela. (insegurança, padrão de beleza e rivalidade num só exemplo).
- Assistir a cerimônia do tapete vermelho de qualquer premiação apenas para falar mal dos corpos e looks das famosas.
- Sentir a necessidade de ser sempre a melhor entre as suas amigas: a mais bonita, a mais inteligente, a mais descolada, a mais desejada. E além disso gostar de ser tida como a grande “popular” e passar a esnobar e excluir outras mulheres porque você se sente melhor do que elas.
Dicas para desconstruir esse
comportamento
- Primeiro passo: desconstrua o padrão de beleza na sua cabeça. Não é fácil, é uma desconstrução que leva tempo. Porém quando você começar a enxergar e apreciar as diferentes formas de beleza humana, não vai sentir tanta necessidade de se comparar com o padrão da mídia, pois terá consciência de que cada um é bonito da sua maneira. (quando isso acontece é como se o seu cérebro se abrisse e você passasse a enxergar o mundo com outros olhos, é incrível!)
- Enxergue as outras mulheres, como seres humanos iguais a você. Eu não estou dizendo que você tem que ser amiga de todas as mulheres do mundo, tem muita mulher vacilona por aí, eu sei disso. Apenas pare de apontar características estéticas como “defeitos”, ao invés disso critique a personalidade e o caráter de uma mulher que lhe fez mal.
- Não generalize! Todas as mulheres não são invejosas e falsas porque você conheceu uma ou duas mulheres com comportamento babaca, pare de alimentar esse pensamento machista, que não corresponde de forma alguma à realidade.
- Ao invés de assistir premiações e programas para criticar o estilo de outras mulheres, dedique seu tempo a conhecer e apreciar o trabalho de escritoras, atrizes, cantoras, cineastas. Valorize o trabalho realizado por mulheres, ao invés de chamá-las de “ridícula” por causa de um vestido que você achou feio. Ser mulher artista exige muita resistência e o dobro de trabalho para que as pessoas apreciem o seu trabalho e não o seu corpo.
- Sempre que achar algo bonito na sua amiga, diga isso à ela. Ela também sofre com as mesmas inseguranças que você, e isso pode mudar o dia dela. Isso não é falsidade, não ligue para o que os outros vão dizer! Quando você passa pela etapa que eu descrevi no passo um, vai aprender a ver beleza em formas, cores e tamanhos diferentes e as outras pessoas ainda não entenderão pois ainda estão presas ao padrão.
- Elogie as mulheres que você ama, elogie as mulheres que você admira, que você é fã. Elogie a sua mãe, sua irmã, suas tias, suas primas, suas amigas. Elogie-se! Ame-se! Você não precisa disputar o título de “melhor mulher do mundo”, até porque esse título não existe, somos todas heroínas. Não somos rivais, somos irmãs!




